A primavera de 2026 começa nesta terça-feira (22), às 21h05 no horário de Brasília, e termina em 21 de dezembro, às 18h50. O que você faz até lá depende de uma variável só: onde você mora e quanto do seu dia fica exposto ao tempo.

O país entra na estação sob El Niño muito forte, com projeção de 98% da NOAA/CPC para o trimestre outubro–dezembro, e essa força não se traduz em um risco único. O Sul e boa parte do Centro-Oeste recebem chuva acima da média, com risco de temporal. O Centro-Norte fica mais seco e mais quente. Nas viradas, o ar frio derruba a temperatura por alguns dias — em Mato Grosso do Sul, a mínima deve cair para 11 °C na quarta-feira (23).

Como isso funciona

O marco da estação é o equinócio, o instante em que o Sol cruza o equador celeste e os dois hemisférios recebem luz de forma parecida. Depois dele, os dias ficam mais longos no Hemisfério Sul até 21 de dezembro. A data pode cair em 22 ou 23 de setembro porque o calendário gregoriano não fecha com a duração real da órbita terrestre, explica a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional.

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. A classificação "muito forte" corresponde a anomalias de 2 °C ou mais na região Niño 3.4, e as águas da faixa equatorial estão acima do normal desde março de 2026. O fenômeno desloca a chuva para o Sul, prolonga o tempo seco no Centro-Norte e tem pico previsto entre novembro e dezembro.

O detalhe que muda sua rotina é o contraste. Com a atmosfera mais aquecida, a diferença entre a massa de ar quente e as frentes frias aumenta, e é esse encontro que produz temporal severo, com rajada, granizo e chuva concentrada, além de onda de calor. O que decide o seu dia não é a média da estação, é o evento.

O que olhar primeiro: a região

Região Chuva no trimestre out–dez Temperatura
Sul Acima da média nos três estados; RS e SC até 200 mm acima Acima da média; até +1 °C no leste do Paraná e valores próximos ou abaixo no sul do RS
Sudeste SP, RJ e centro-sul de MG até 100 mm acima; Espírito Santo até 50 mm abaixo Acima da média; até +1 °C no centro de MG e no nordeste de SP
Centro-Oeste MS e sul de GO acima da média; centro-norte de MT e norte de GO abaixo Acima da média; até +2 °C no norte de MT
Norte Abaixo da média em quase toda a região; até 200 mm abaixo em RR, norte e nordeste do AM e oeste e centro-sul do PA Acima da média; até +2 °C
Nordeste Abaixo da média; exceção do setor leste, entre RN e AL, com volumes levemente acima Acima da média; até +2 °C em alguns estados

Nota Técnica Conjunta do Inmet, CPTEC/Inpe e Funceme para o trimestre outubro–dezembro de 2026. São desvios médios do trimestre: eles não dizem o que vai chover no seu fim de semana.

O risco de cada região, e o que fazer

Temporal e chuva acima da média

Onde: Sul, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, São Paulo, Rio e centro-sul de Minas. Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem acumular até 200 mm acima da média do trimestre. A nota conjunta cita Complexos Convectivos de Mesoescala, sistemas de chuva intensa, rajadas, descargas elétricas e eventual granizo. No interior do Sul, a Climatempo prevê estação tempestuosa, com o foco passando do Paraná para o Rio Grande do Sul.

O que fazer: acompanhar os alertas do Inmet e da Defesa Civil, evitar atividade ao ar livre e deslocamento em dia de aviso, e não fixar data para operação que dependa de tempo seco.

Calor e ar seco

Onde: Norte, Nordeste, norte de Mato Grosso, norte de Goiás, norte de Minas e Espírito Santo. No Rio, os picos podem passar de 40 °C em novembro e dezembro. O Cemaden estima média de seis ondas de calor até dezembro, com as primeiras possíveis em outubro; no último El Niño, foram nove.

O efeito na saúde tem duas frentes. O ar seco concentra poeira, poluição e pólen e irrita as vias aéreas, o que pesa primeiro em quem tem rinite, asma ou conjuntivite alérgica. O Ministério da Saúde alerta que calor intenso combinado com temporal concentrado aumenta o estresse térmico, agrava doenças cardíacas e respiratórias e pode elevar os casos de dengue e de outras arboviroses.

O que fazer: reservar água e evitar esforço ao ar livre entre 10h e 16h. Em casa, janela fechada em dia seco e com vento, purificador com filtro HEPA, soro fisiológico nas narinas, roupa trocada na chegada e nada de secar roupa no varal externo.

Frio de virada

Onde e quando: Mato Grosso do Sul agora, com 11 °C a 15 °C na quarta-feira (23) nas regiões sul, Cone-Sul, leste e Grande Dourados e 16 °C a 18 °C em Campo Grande; sul do Rio Grande do Sul com valores abaixo da média; frentes frias ainda atuando no Sudeste na primeira quinzena de outubro.

O que fazer: atenção à mínima invertida. Com a entrada do ar frio, a menor temperatura do dia pode ocorrer ao longo do dia, não de manhã — quem sai de casa com a roupa da manhã sente a queda depois.

Se a sua semana depende da lavoura

Onde chove acima da média (Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, sul de Mato Grosso, São Paulo e sul de Minas), a janela de semeadura e o armazenamento de água no solo melhoram; em arroz irrigado, solo com drenagem ruim pede cuidado no estabelecimento inicial. Onde a chuva atrasa (norte de Mato Grosso, norte de Goiás, Matopiba e áreas de sequeiro do Nordeste), o risco é déficit hídrico no começo do ciclo e variação grande de acumulado entre propriedades vizinhas.

O que costuma ser irrelevante

  • A hora exata do equinócio. Se a estação começa às 21h05 ou à meia-noite, sua rotina não muda; o que muda é a chegada da frente fria.
  • O ranking do El Niño. "O mais forte das últimas décadas" é manchete, não instrução. A previsão da sua cidade é a informação que altera decisão.
  • A média de chuva do trimestre lida como previsão do fim de semana. A pancada é local e curta, e quem antecipa é o aviso do dia.
  • A ideia de que a primavera é a estação das alergias para todo mundo. O que agrava o quadro é ar seco com partícula suspensa, problema maior onde a chuva fica abaixo da média, não nas áreas de temporal.

Erros comuns

  • Planejar pela média do trimestre e ignorar o alerta da semana.
  • Sair de casa com a roupa da manhã em dia de mínima invertida.
  • Tratar "chuva acima da média" como chuva garantida e marcar plantio, viagem ou obra sem plano B.
  • Concluir a estação pelo tempo de setembro. Outubro, novembro e dezembro concentram o calor acima da média e o risco de temporal.
  • Esperar a crise alérgica para montar a rotina de controle.

Próximo passo

Hoje: quem está em área de temporal salva os canais de alerta do Inmet e da Defesa Civil; quem está em área de calor e ar seco ajusta horário de exercício, água e rotina de alergia antes dos dias secos; quem planta checa a janela de chuva da própria região antes de fixar a data. A primeira virada é agora: a frente fria que entra em Mato Grosso do Sul na noite desta segunda-feira muda a temperatura do estado até quinta.

Perguntas frequentes sobre a primavera de 2026

Quando começa a primavera de 2026 e que horas?

Em 22 de setembro, às 21h05 pelo horário de Brasília.

Quando termina a primavera de 2026?

Em 21 de dezembro, às 18h50, quando começa o verão.

Qual região vai ter mais chuva nesta primavera?

O Sul, com acumulados até 200 mm acima da média no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás também ficam acima. Norte e Nordeste ficam abaixo da média.

Vai fazer frio na primavera de 2026?

Em viradas curtas: 11 °C a 15 °C em Mato Grosso do Sul na quarta-feira (23), sul do Rio Grande do Sul abaixo da média e frentes frias no Sudeste até a primeira quinzena de outubro. Fora desses períodos, a estação é mais quente que o normal.

Quantas ondas de calor estão previstas?

O Cemaden estima uma média de seis até dezembro, com as primeiras possíveis em outubro. Em 2023, na última primavera com El Niño, São Paulo chegou a 37,7 °C, o Rio a 42,5 °C e Cuiabá a 44,2 °C, e o Inmet registrou 44,8 °C em Araçuaí (MG).

O que é um El Niño muito forte?

Anomalia de 2 °C ou mais nas águas do Pacífico Equatorial, na região Niño 3.4. Para o trimestre outubro–dezembro de 2026, a projeção da NOAA/CPC é de 98% de probabilidade de o fenômeno estar nesse nível.